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A Secretária
Ensaio · pergunta

A pergunta bem feita

Há perguntas que abrem uma conversa e perguntas que a fecham numa única palavra. A diferença raramente está no tema — está na forma. E a forma aprende-se.

Uma boa pergunta não é a mais inteligente nem a mais difícil de responder. É a que faz a outra pessoa pensar em algo que ainda não tinha pensado daquela forma — e isso pode acontecer com uma pergunta muito simples, se for feita no momento certo e sem já ter a resposta desenhada de antemão.

Abertas e fechadas — a distinção mais útil

Uma pergunta fechada tem um conjunto limitado de respostas possíveis, muitas vezes apenas sim ou não: "Gostaste?", "Vais fazer isso?", "Concordas?". Uma pergunta aberta não define de antemão a forma da resposta: "O que achaste?", "Como pensas fazer isso?", "Porque discordas?". Nenhuma das duas é superior em absoluto — uma pergunta fechada é exatamente o que se precisa quando se quer confirmar um facto ou fechar uma decisão. O problema é usar perguntas fechadas quando o que se quer, na verdade, é explorar — porque aí a forma da pergunta já decidiu, sem se dar por isso, o tamanho da resposta que vai receber.

O mesmo assunto, duas perguntas

"Correu bem a reunião?" convida a um sim ou não. "O que é que ficou por resolver na reunião?" convida a uma resposta que só a pessoa que lá esteve pode dar — e é normalmente essa a resposta que interessa ouvir.

A pergunta que já tem a resposta lá dentro

Há um terceiro tipo de pergunta que vale a pena saber reconhecer: a pergunta indutora, que sugere a resposta certa dentro da própria formulação. "Não achas que isto foi um erro?" não está genuinamente a perguntar — está a convidar a concordar. Isto não é sempre desonesto (às vezes é apenas um hábito de fala), mas é bom saber distingui-la de uma pergunta a sério, porque as respostas que recebe raramente revelam o que a outra pessoa pensa — revelam o que a outra pessoa acha mais fácil dizer.

Em entrevista

Quem entrevista por ofício aprende cedo que a pergunta mais produtiva raramente é a mais elaborada. Uma pergunta longa, com três subperguntas lá dentro, dá à pessoa entrevistada a liberdade de escolher a mais fácil de responder e ignorar as outras. Uma pergunta curta e aberta — "Porquê?", "E depois?", "Como assim?" — tende a produzir mais, não menos, precisamente por deixar mais espaço.

A pergunta mais útil numa entrevista costuma ser a segunda, não a primeira — a que se segue à resposta que a outra pessoa já preparou.

Em debate e em desacordo

Numa discussão, a pergunta bem feita é muitas vezes mais eficaz do que a afirmação bem feita. Perguntar "o que te faz pensar isso?" em vez de dizer "isso não faz sentido" mantém a conversa aberta a uma resposta que talvez mude alguma coisa — na outra pessoa ou em nós próprios. É também o ponto onde este tema se cruza com o da discussão sem vencedor: perguntar a sério, e não como manobra retórica, é o que separa querer entender de querer ganhar.

Perguntas que fecham sem ninguém reparar

Há um hábito comum que fecha conversas sem parecer hostil: responder a uma pergunta com outra pergunta que muda de assunto, ou fazer várias perguntas seguidas sem esperar por nenhuma resposta. O efeito, mesmo sem intenção, é o mesmo de uma pergunta fechada mal feita — a outra pessoa aprende, rapidamente, que não vale a pena desenvolver a resposta.

Uma pergunta aberta também pode ser mal feita. Perguntas demasiado vagas ("o que achas da vida?") dão tanto trabalho a responder que muitas vezes não recebem resposta nenhuma. Aberta não é sinónimo de vaga — é uma pergunta com foco, mas sem uma resposta já embutida.

Um hábito simples para experimentar

Antes de fazer uma pergunta importante, vale a pena perguntar a si próprio: "já sei que resposta espero ouvir?" Se a resposta for sim, talvez não seja mesmo uma pergunta — seja um pedido de confirmação disfarçado. Não há nada de errado nisso, desde que se saiba que é isso que se está a fazer.

O decompositor de diálogo aplica exatamente esta distinção — abertas e fechadas — a um texto colado, com a heurística explicada ao lado do resultado.